. de tudo o que é maciço e permanente .

by Os dias do meio

. de todas as letras que uso para escrever, escolho a primeira do teu nome .
. de todas as manhãs, as que cheiram a palha húmida .
. entre todas as vozes, distingo umas poucas .
. de todos os poemas, um soneto .
. das fotografias, guardo aquela em que estás de costas e que nem sabes que eu tirei .
. das músicas que me tocam, oiço aquela que ela canta de noite no parque .
. de todas as viagens trago o ar que respiro .
. de todas as plantas, cuido das minhas .
. dos momentos em que foi mesmo verdade, escolho aquele .
. de todas as vezes que te olhei nos olhos, não esqueço nenhuma .
. em todas as decisões, o livre arbítrio .
. de todas as temperaturas, as quentes .
. de todas as crianças, as que também são minhas .
. das comidas, a cozinha lenta .
. das dores, as que acabam .
. em tudo, o querer .
. de tudo o que é maciço e permanente .
. tudo o que aprendi com a minha mãe .
. em todas as falhas, o querer fazer bem .
. de todas as vezes em que perdi a razão, mas insisti, ainda me envergonho .
. de todas as entradas no mar, não vou escolher nenhuma .
. a vez em que me escolheste, fico com essa .
. os amigos que são a família .
. todas as caras e todos os nomes .
. tudo o que não quero ser tanto e me faz um homem melhor .
. a verdade como uma pele inteira com cicatrizes .

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