. proximidade .

 

vejo chegar a próxima idade
e detenho-me nesse impasse.
resulto nos gestos repetidos sem causa ou direção

moo o café, os pés aquecendo o chão da cozinha
residentes da escolha, suportando a medida contrária do vazio,
sem ordem nem caos num gesto seguro

no interior da cafeteira, a água trepa a cânula trespassando o pó,
o ânimo transfigurado segue igual, mas outro,
e desagua silenciosamente na câmara superior

tudo em volta arrepela como cabelo encrespado.
sem rumo definido, o café entra encurralado em corpo incerto
e a casa contrai as linhas do seu mapa

por debaixo da porta a água desliza cobrindo o chão em silêncio
em dois tempos o estuque do teto ensopa sem se desfazer
e então eu, submerso na minha cozinha
os braços flutuando inertes ao som do tropeço cardíaco
numa inquietação apática, entregues à velocidade do sangue que desagua silenciosamente na câmara superior numa letargia lúcida, arrítmica e familiar

repete e torna . outra vez tu . da capo
a mão sobre nenhum rosto e os braços suspensos no mar imenso da cozinha
sem rima nem prosa, só fronteira e coisas pequenas, rotina e loiça por lavar

parado no semáforo da praça sem saber onde estou
a tarde impassível, o ar quente e sem direção.
e então o sinal abre e avanço sem saber

 

0008P A path

a path ­­ ⁊  daehyun kim
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