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by Os dias do meio

Não caímos, somos empurrados. Temos medo e reinventamo-nos sem nos dar conta – à mesa, no carro, lá fora, a olhar para a lareira ou com os pés dentro de água. E somos corajosos, porque ninguém nos ensina a lidar com aquilo. Cada caso é um caso, como no cancro. Naqueles meses a casa encheu-se de gente que chegava e partia, sempre uma festa, sempre a chuva e o vento e o adormecer a olhar o fogo. Depois, foi o Verão™ que definiu muito do que sou hoje, um desassossego diferente, que fez com que eu quisesse ser um homem melhor, que me empurrou para um sítio que eu não sabia que existia.
Este ano, com o aproximar da data, estou mais atento às histórias que tocam a minha – mentira, estou sempre atento – e ouvi alguém dizer isto:

– There is a club – the Dead Dad’s Club – and you can’t be in it until you’re in it.
You can try to understand, you can sympathize, but until you feel that loss…
My dad died when I was 9. George, I’m really sorry you had to join the club.

– I…  I don’t know how to exist in a world where my dad doesn’t…

– Yeah, that never really changes.

Não deixa de ser estranho sentir saudades daquela altura, mas sinto. Por ter sido tudo tão verdade, por ter sido um período estrutural para onde fui empurrado, onde só contava o que era mesmo importante. A partir daí fiz escolhas e tomei decisões. Também me deixo distrair com coisas sem importância e levanto problemas onde não é necessário, mas volto sempre a esse momento de verdade, onde só são importantes as pessoas que eu amo. Tudo o resto são distracções.
Aos que já cá estavam, aos que chegaram depois, quero-vos tanto e muito, sempre.

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